quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Retratos em chama



Eu busco a luz de uma infância perdida,

De um sonho falho,

De uma pequena chama escondida nessas paredes

Pra sempre sem vida

Marcadas de cinza e preto

Pela voz do tempo


Às vezes essa chama desperta para morrer com você

Então se dobra mais uma vez

Para o fundo de minha alma

Estraçalhada, torturada...

Tão doces devaneios fizeram-te perder

Em sua própria escuridão

E de vez em quando

Ela surge à sua porta distante

Trajada de preto

Mas ainda com o mesmo nome:

Esperança


Eu ainda quero o que sempre quis

Despertar e sair desse calabouço

Apenas uma vida...

As plantas do nosso jardim

Já estão secas

E esperando em planto está

A amarga realidade

Que foi a muito queimada

Com nossos retratos

Em uma noite esquecida.

O Anjo da Redenção

Como um anjo caído procurando a cura para os vícios
Eu caminho pela noite
Eu almejo o sono dos meus pecados.
Que a alma que grita seja abençoada
E que os desejos monstruosos sejam domados
Tal qual uma lírica perfeita

A dor é a forma do paraíso mostrar
Que ainda não alcançamos a perfeição
É o nosso toque mortal
Será que os deuses sentem nossa dor?

Em minha caminhada quantos bosques gelados encontrarei?
O suficiente para a quase insanidade
O suficiente para não sufocar
Como sol que surge para levar a gota de orvalho
Que meus pecados sejam expurgados
Sumam

A dor é a forma do paraíso mostrar
Que ainda não alcançamos a perfeição
É o nosso toque mortal
Será que os deuses sentem nossa dor?

Você não poderá gritar no fim da jornada
Você será a síntese de todas as suas ações
Você sente a minha dor?

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Fatal Frame


Irmã.onde estas?
Por favor saia das sombras e
Deixe-me contemplar o seu rosto!

Ninguém responde.
Agora sei...
Minha jornada só esta começando
O que posso levar além da esperança?
Talvez consiga encontrá-la em meus sonhos
Ou então naquele lugar onde não existe dia
E onde o tempo ha muito se perdeu.
Disseram-me uma vez que os primeiros passos
São sempre os mais incertos
E eu nunca senti essa verdade como agora
Será que poderia adentrar nestas portas
Sem me ferir?
O primeiro passo...
E ele foi o inicio do meu calvário...

ÁRVORE GÉLIDA
Entre os corredores sombrios
O medo já deixou sua marca.
Sangue,silêncio e escuridão se unem
Para formar este cenário.
As negras cortinas tornam-se cada vez
Mais volumosas pela oscilação do ar
Até meu desespero parece silencioso
Perante esta atmosfera,sem força,sem vida.
No jardim,já morto,triste árvore gélida
Se ergue
E parece ser o único ser vivente
Talvez uma lembrança do fantasma infante
Que mora próximo de suas raízes
E que expressa um lamento sem fim.
Não devo me reter pela depressão
Que parece emanar de seu choro
As armadilhas são as mais diversas,
Mas o destino não me leva à morte
Não ainda...

O QUARTO DO ENFORCADO
Escadarias que levam ao inesperado
Um temor que me invade por completo
O quão longe de minha busca estou?

Este cômodo é assustador!
Uma luz trêmula e turva
Banha todo local
Roupas velhas,rasgadas e escuras
Espalham-se penduradas em madeiras.
No centro do quarto
Jaz o corpo de um enforcado.
Fechados seus olhos se encontram
Sua mão direita protege uma faca
Em contraparte a cabeça que pende
Para o lado oposto.
Ainda pendurado em sua corda
O corpo gira devagar.
O que aconteceu?
....
Eu só quero a saída
E essa sensação me diz....

Seus olhos se abrem
Um segundo é uma eternidade
Quando a morte se aproxima.
A faca em punho
O espírito avança sobre mim
Que minha câmera
Ofereça um pouco de luz
Um flash...
Para a escura absoluta....

RITUAL DE SOMBRAS
Aos poucos desperto
Estou presa!
Quem são estes demônios?
Sua pronuncia é confusa,
Mas suas palavras podem ser
Distinguidas
Que Deus me ajude:
‘’Em profundo poder
em manto sepultado.
Terra,fogo,sangue
Consumados’’

Desespero...
‘’em chamas encontra-se
a casa de Deus
longínqua vontade
para o lúgubre destino’’

Marcas são feitas em meu corpo
Espasmos,convulsões

‘’O coração dos mortos
sem este sopro não
há luz,não há amor
não há vida!’’

Silencio...

A SALA DO CORAÇÃO
Desde crianças eu e minha irmã
Tínhamos uma ligação especial.
As flores de laranjeira caiam
Naquela primavera.
Juramos ficar juntas para sempre...
A morte deve ser passageira
O juramento...
Eterno !
Irmã é você?

(Arthur willians)

Sonhos de um condenado

Se me falassem em imortalidade
Há um tempo atrás
Com certeza riria.
Por que tento
A cada noite
Achar-me em um copo de sangue?

Entre cinzas e caixões
Este mundo não me pertence!
Apenas estou entorpecido
Poucos sabem o que é viver
Com uma besta assassina
No seu mais profundo
Âmago

Se almeja esta existência
Primeiro dê-me à redenção
Deixe que o sol
Novamente toque minha pele,
Faça com que a natureza
Aceite-me novamente
Como seu filho,
Torne-me um servo de Deus
Que em sua infinita sabedoria
Concedeu-me nada mais
Nada a menos
Que o inferno
Liberte-me para que eu possa
Sentir um corpo desejando-me,
Envolvendo-me
E possa amá-lo para toda vida

Estes são apenas sonhos
De um decadente
Que vê a cada instante
O pouco que há de si
Evaporar-se.
Não existe mais sensação
Nem humanidade
Agora e para sempre
Só estou voltando
Para minha própria
Escuridão!

O Sono da Alma

Somos mesmo treinados
Para matar nossos
Sentimentos?
A nos anularmos
Sendo vitimas de pensamentos
Corrosivos?

Enquanto eu durmo
Meu espírito vagueia livremente
Em busca de aprendizado e
A pureza
Que por vezes é esquecida
Porém jamais perdida.
Esse fantasma de mim
Flutua pelas ruas e capelas
De minha alma

Eu escondo de mim tudo que
Machuca-me
Mas eu posso dizer que estou vivo
O ‘’sentir’’ cada vez torna-se
Uma faca com a ponta em chamas
Pronta para arrancar-me o ultimo suspiro.
Essa barreira auto-imposta um dia
Poderá destruir-me
Enquanto isso
Ela só me fortalece

Há brutalidade e há honestidade
Ambas ferem
Ambas são mártires do meu anarquismo
Ambas me fazem amar e odiar.
Não quero tornar-me uma casca vazia,
Talvez
Se esquivarmo-nos do sofrimento
Também percamos a felicidade

Nessa viagem o espírito se move
No compasso da minha vida
Ele não é vulnerável l
Porque entende a si
E tenta me ensinar,as vezes em vão,
A amar

Vampirismo, a Mascara da imortalidade

METAMORFOSE...

Na penumbra de meus sonhos
Só o silêncio encontra-se
Formas abstratas são freqüentes
Ilusões,desejos remanescentes
Desperto!

A sombria figura está à espreita
Coração acelerado
Desespero,adrenalina
Por fim o topor

Almeja a vida que pulsa rubra
Em minhas veias
E aos poucos a drena
O calor envolve minha jugular
E retira-se do meu corpo
A centelha oferecida pelo criador
Logo voltará a ele

Sensação de paz,
Escuridão,
Isso é a morte?
Algo me traz de volta
Arrancando-me o conforto.
Meu corpo estremece acostumando-se a nova
Condição

A criatura deu-me um fragmento
De sua vida infernal
Selando sua cria com sangue

SOBREVIVÊNCIA...

Hoje a luta para manter a humanidade
É sempre constante
Espreito entre sombras
Alimentando-me dos que foram meus irmãos
E se não o fizer estarei libertando
O que há de pior em mim
Todos confortáveis em seus lares
Desconhecem que vivem entre animais selvagens
Talvez sua inocência o mantenha salvo
Mas até quando?

ETERNIDADE...

O glamour hollywodiano não existe
E não há beleza em fazer o que fazemos
É essa a vida eterna com que os sonham os mortais?
Tudo é pura ilusão...
Por onde quer que eu vá só há trevas
Viverei,no entanto,para acompanhar
As sementes que foram plantadas hoje
Florescerem

O tempo será meu aliado e inimigo
Me contentarei com suas recompensas
E romperei em prantos ao ver
Que minha vontade vem sendo domada
E que torno-me algo com que não poderei
Sonhar nem em meus piores pesadelos

Não me julgue,no entanto,
Aquele que me criou queria
Dar-me a mortalidade
Em vez disso...
Criou um monstro!

Chamas da Vazio

Mordeste a mais letal maça
Desta vida aterradora,
Bebeste,também,de um cálice
Mais negro que o onix

Foram as facetas dos seus sonhos
Que tornaram-se mais mortais a cada dia,
Foi a tristeza de um adeus
Estampada em teu rosto pela infinidade

Revira-se de um lado pra o outro
Em seu leito
Tentando não arder em chamas
Tentando afastar o pecado

Morre-te o tempo
Como o mais denso fantasma em tua janela
Definhando a caminho de estradas ilusórias.
Agora és simplesmente um espaço vazio

Arthur Willians

ATENÇÃO:Todos os textos postados são de minha autoria!

Esperança Negra

Seus olhos eram escuros como a morte
E no entanto trouxeram-me esperança
Retiram-me momentaneamente a dor
Para depois fazer-me servo de sua causa

Por tanto tempo essa foi a única razão de
Minha existência
E mesmo a beira deste abismo
Ainda lhe tenho gratidão

Tornei-me uma arma a ser usada
Para satisfazer suas vontades
Apenas algo ambulante e cego
Jamais poderia retornar aquele inferno
E suas promessas pareciam me dar certeza
Da minha importância e do meu futuro

''Não existe razão para nossa existência,
No entanto se sobreviver verá muitas coisas
Interessantes''
Foram suas palavras...
Infelizmente discordo delas
Pois minha missão
É amar alguém que ofereceu-me
Uma falsa liberdade
Que ama apenas a si,
E que mesmo agora em meu leito de morte
Só pensa em poder.

Arthur Willians